
Na casa de 304 m² em condomínio à beira-mar de Maceió, em Alagoas, a estrutura de concreto com grandes aberturas permite a ventilação cruzada constante, o que torna a temperatura dos interiores sempre agradável. Casa à beira mar mistura vidro, cimento e madeira, provocando um tom moderno e rústico ao mesmo tempo. Acompanhe mais essa postagem e fique por dentro desse assunto!
Simplicidade e desing compõe a casa beira à mar
As águas cristalinas da praia da Garça Torta, em Maceió, capital de Alagoas, aparecem enquadradas por caixilhos de madeira em determinados ambientes da casa de 304 m² em condomínio à beira-mar. Essas aberturas estratégicas foram criadas nas fachadas voltadas para a paisagem marinha no projeto elaborado há cinco anos pelo arquiteto Mário Aloisio, que, desde março do ano passado, vive ali com sua esposa. “Fiz uma suíte no térreo para meu sogro, que infelizmente faleceu antes da mudança, e agora é destinada aos hóspedes”, lembra o arquiteto. Com exceção desse cômodo, a maioria dos ambientes é integrada de alguma forma, garantindo fluidez na circulação entre os espaços. “É uma casa quase sem corredor. Coloquei uma porta de correr no living para fechar o home theater somente quando quero escutar música sozinho”, afirma Mário.
Painéis de vidro fecham o ambiente
A integração de ambientes é uma característica do trabalho do arquiteto alagoano, de formação modernista, que coleciona elogios de mestres como Oscar Niemeyer e é o atual diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Estado. “Embora eu goste de guardar segredos fazendo paredes em curva, minha intenção nesse projeto era de ter uma casa aberta, inclusive para fora, deixando os ventos passarem sem obstáculos. Isso é importante aqui, por conta do calor intenso o ano inteiro”, afirma. No living, Mário usou painéis de correr com vidro para fechar os ambientes, mas as esquadrias de madeira não cobrem totalmente o vão. Acima delas, ele deixou descoberta uma abertura que varia de 2,30 m a 0,80 m de altura, de acordo com a inclinação do teto. “Por ser toda vazada, a casa é beneficiada pela farta entrada de luz solar, pela visão do mar e pela passagem do vento, que flui e inunda as salas escapando livre nessa abertura junto ao teto.”
Concreto em abundância está presente
A construção é composta por um volume de concreto e por uma ala criada sob a cobertura inclinada, com vigas metálicas. O bloco de concreto dá toda a estrutura à casa, que tem lajes em balanço voltadas para os fundos e para a lateral, onde fica a praia. “As esquadrias no living não isolam, apenas o cercam vazando os espaços externos e internos”, diz o arquiteto. Uma parede de concreto aparente define as funções da casa no térreo: de um lado, ficam os espaços de serviço e a suíte de hóspedes e, do outro, as áreas de convívio e lazer. Nessa parede, apoia-se suavemente o telhado de uma água, que mede 9 m em vão livre ocupado pelo living. Isso possibilitou o pé-direito alto em quase todos os ambientes sociais, que são integrados entre si e ao exterior. O arquiteto colocou painéis deslizantes com caixilhos de madeira e vidro que fecham de canto para a varanda em “L”. A cozinha fica no bloco de concreto, mas é aberta para a sala de jantar no living.
A escada para o pavimento superior tem degraus em balanço criados a partir de recortes na parede de concreto. “Consegui isso dobrando os vergalhões de ferro usados na armação da concretagem”, explica Mário. “Em cada degrau, coloquei uma peça de madeira maçaranduba para dar melhor acabamento e ficar mais confortável.” Antes do corredor que leva às duas suítes no volume de concreto, chega-se ao mezanino, onde foi instalado o escritório, sob o telhado inclinado. A suíte principal tem caixilho de madeira com vidro que abre para o terraço na fachada frontal. A outra suíte tem varanda menor voltada para os fundos. “Em meu escritório, coloquei várias janelas para poder olhar o mar enquanto trabalho”, diz o arquiteto, que coleciona artesanato das cidades alagoanas Capela, Boca da Mata e Ilha do Ferro e obras de artistas como Tânia Pedrosa, Delson Uchôa, João Câmara, Ismael Caldas e Salvador Dalí. Outra característica de seus projetos é o uso de cores intensas, que, além de definir os ambientes, quebram a monotonia do cinza concreto. “Acho interessante brincar com as cores, que são a grande expressão de nossa região e precisam ser homenageadas.”
Fonte: http://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Jardim/Arquitetura/noticia/2016/05/casa-beira-mar-mistura-cimento-madeira-e-vidro.html